A internet veio para mudar completamente as formas dos artistas viverem de suas músicas no século XXI. Se antes existia todo o processo natural e automático de composição, gravação, venda de discos, jabás (nos caso de alguns, na era dominada pelas grandes gravadoras) e turnê, hoje há quem não lance nem o disco físico e, ainda assim, se mantenha com muito sucesso no topo da cadeia alimentartística.
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Microfone modelo
anos 50/60 |
As gravadoras eram as grandes dominantes no cenário musical até o começo dos anos 2000. Para ser um artista conceituado precisava-se, obrigatoriamente, ter por trás um empresário de uma grande empresa. Essas gravadoras monopolizavam o cenário musical e fabricavam muitos artistas. O público, até então passivo nessa relação, sentava no sofá e era obrigado a consumir os novos astros e estilos que estivessem ao seu alcance (por meio das emissoras de TV e as rádios). O jabá nascia aí, a gravadora precisava mostrar o trabalho desse novo artista e forçar até a goela do espectador o
produto (música). Nos anos 70, 80 e 90 o rádio e televisores eram os únicos grandes distribuidores de informações, então, via-se como sucesso e novidade tudo aquilo que neles estivessem. Nesse processo, muitas vezes forjado, de
sucessos nacionais do mundo da música, esses artistas ganhavam um respeito que não lhe era digno e a tal popularidade necessária para continuar nesse meio. Por
osmose viravam ícones da música. Era um prato cheio para a gravadora, que só enchia e enchia os bolsos de dinheiro.
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Estima-se que a dita "Pirataria moderna" movimente cerca de R$ 40 bilhões por ano, no país. |
A internet veio para mudar, ainda que não completamente, esse cenário. O público, que é o principal interessado e é graças a ele que o artista se mantém, agora tem voz, a passividade não é dominante. Muitos dos sucessos forjados foram desaparecendo e caindo no esquecimento. É certo que muitos outros vieram a aparecer, é notório os
Luan Santana genéricos, mas nessa queda de monopolização da música pelo Brasil e a era digital contribuindo para a pirataria, diversas gravadoras quebraram ou foram incorporadas a outras. Com aquele processo natural e automático tão famoso (composição, gravação, venda de discos e jabás) já por um fio, visto que a venda de discos já não representava mais uma fonte de lucros tão grande e nem os jabás conseguiam segurar o público na frente da TV e do rádio por muito tempo, pois a internet se mostrava uma plataforma muito mais interessante, uma nova era começa a ganhar força: a era da música no plano digital.
Muitos artistas perceberam isso, que a dominação das gravadoras estava acabando, e abriram, através da rede, um contato direto com seu público, sem mais o intermédio antes representado pelo empresário. Era possível agora chegar e dialogar com o seu público, um processo muito mais eficaz. O cantor e compositor Leoni foi um deles, começou a interagir com seus fãs desde a época do Orkut, e hoje reinventa o modo de divulgar seu trabalho. Muitos artistas estão se livrando desse compromisso com as gravadoras e ganhando autonomia plena no gerenciamento de suas carreiras, daí um exemplo do próprio Leoni, Paula Toller, Nando Reis, etc.
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| Monomania, 2013 - Clarice Falcão |
A grande novidade, e um dos motivos principais desse post, foi a da recém-lançada cantora
Clarice Falcão. Já famosa por seus vídeos no
YouTube (rede que deu oportunidade a muitos artistas novos de aparecerem, tais como
Mallu Magalhães e
Roberta Campos),
Clarice foi ganhando o respeito do público por suas performances e originalidade nas canções - abaixo segue um dos primeiros vídeos mais famosos dela,
Macaé. Não é dona de nenhuma voz magnífica (talvez não tivesse oportunidade na época do monopólio das grandes gravadoras), mas cativou milhares de fãs. A cantora lançou seu primeiro disco na plataforma digital, fisicamente não existe. Como a mesma gosta de dizer:
existe na mera abstração. Está à venda apenas no
Itunes (site de venda de músicas em mp3) e em uma versão totalmente artesanal em seus shows. Mas, provando que esse caminho pode ser uma nova solução, esse primeiro disco,
Monomania, esteve, por diversas semanas, nos primeiros lugares de vendas pelo site. Talvez esse seja o futuro dos discos.
Onde chegaremos? Isso nunca dará para responder. Mas é certo que, tanto artistas quanto público, partiram de um modo totalmente forjado e prisioneiro de vender e consumir música, para uma autonomia cada vez mais libertária e democrática, respeitando e tratando cada vez mais a música como merece ser tratada, arte.
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